Terça-feira, 5 de Outubro de 2010

O País que não temos… pelos gatunos que temos.

          

            A crise, palavra da moda.

            Os ladrões, eternos culpados.

            Em pequenos desabafos, não receando retaliações, eis o que sente o povo, que impávido e sereno, mais uma vez, como sempre, vê que lhe vão aos bolsos.

            A mesma estratégia em cem anos de república como em tantos de monarquia. Nesta comiam (roubavam) alguns, naquela comem (roubam) muitos.

            A nobre ciência que é a politica está empobrecida pela podridão dos que nela se movimentam e asfixiam, hoje como sempre, o país.

            Que fazer?

            Acredito ingenuamente que isto vai mudar. Sou muito optimista. Vai mudar, porque vão surgir políticos muito sérios, capazes de legislar o óbvio, que se traduz no seguinte:

            Ninguém no país, desde que ao serviço da coisa pública, vai auferir mais do que um vencimento; ninguém no país vai ganhar mais do que o presidente da república; ninguém no país irá jamais acumular chorudas reformas depois de 1, 2, 3 meses/anos de trabalho ou só emprego, entre os quais os que nos vêm moralizar; todos os deputados, tantos que eles são, vão trabalhar seriamente, defendendo os interesses de quem os elegeu e não apenas os seus. E como prova de boa vontade, vão ter, finalmente, coragem, como qualquer outro governante, de prescindir de regalias inexplicáveis como cartões de crédito, telemóveis, subsídios absurdos, viagens, carros e condutores, etc. Até, imaginem, vão propor que nenhum cidadão tenha qualquer tipo de imunidade, nem a parlamentar, para que quando se cometerem crimes (como o de nos irem aos bolsos), possam ser julgados como pessoas comuns que são; os partidos vão deixar de proporcionar tachos e de fingir que se interessam pelo povo que desconhecem e vão defender, com garra, a justiça social. Irão perceber, finalmente, que o que ganham é demasiado para o nada que fazem; o senhor Presidente da República dará o exemplo e prescindirá das suas, não sei bem quantas, reformas e no exercício do seu cargo irá contabilizar os anos de serviço, juntando-os aos anteriores e aguardar uma única reforma, na idade própria e/ou com o número de anos de serviço exigidos por lei; os senhores ex-presidentes, não querendo ficar atrás, vão dispensar o carro público, o condutor, o secretário pessoal, por finalmente concluírem que deram muito de si ao nosso país, mas que ganharam por isso; os senhores deputados vão querer ir para o trabalho, peço desculpa, para o emprego, no seu carro, à sua custa e vão almoçar e jantar por conta própria, como todos. Vão, ainda, pedir para que o número de deputados seja reduzido para o mínimo que a constituição permite, porque irão entender e assumir seriamente que não andam lá a fazer nada em benefício do país. Nada que qualquer individuo não seja capaz de fazer, por esticão, em qualquer rua ou beco, com a garantia de que nos custará menos dinheiro; os senhores magistrados também vão optar por serem homens e não deuses, declinando subsídios e demais regalias, direccionando a sua sábia energia de julgar ao serviço da justiça dos homens, que afinal vão ser todos.

            Oh, acordei, afinal estava a sonhar, que desilusão.

            Resta deixar algumas questões:

            Continuaremos com medo de represálias por falar?

            Continuaremos com medo da verdade?

            Continuaremos a dizer sim a tudo e a todos por interesse?

            Continuaremos a dormir?

            Continuaremos a ser roubados?

            Continuaremos a sustentar energúmenos?

            Continuaremos a contar os tostões e a fingir que somos ricos?

            Continuaremos, comodamente, analfabetos mesmo transitando de ano?

            Continuaremos a receber subsídios para nada fazer?

            Continuaremos medíocres, pasmados, a leste?

            Continuaremos a sobreviver?

 

            Imagino que algum senhor, político ou não, se ler isto, o que duvido, diga com toda a sua autoridade dada pela imunidade que eu não tenho, que tolo, não sabe o que escreve. Quem julga que é?

            Apenas e só mais um cidadão farto de ser roubado, enganado, responsabilizado por senhores pseudo importantes que nunca têm responsabilidade de nada.

António Rocha

publicado por emrcvida às 19:33
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